Das inúmeras formações que Código teve, uma dela incluiu duas mulheres durante uns meses, nos anos 90. Os motivos foram invulgares, ou não. Tudo começa quando o Zé "Patilhas"começa a notar que a recém vizinha, a Beta, canta umas coisas. Palavra puxa palavra, e começa uma relação entre ambos, que se vai estendendo aos ensaios do Código. Dali até à proposta de incluir a Beta como vocalista foi um passo. O Alcobia não aprovou, eu achei que uma presença feminina seria bem vinda comercialmente, e o Fernando Jorge (teclista) também não aceitou, mantendo-se algum tempo na banda, mas depois saiu por causa da Beta. E entra a Célia para os teclados.
A experiência de tocar e até de fazer alguns arranjos com a Célia foi muito boa. Existe um toque diferente na mulher instrumentista. Diria que algo de subtil e dissimuladamente felino. Não dando tanto nas vistas (no caso, nos ouvidos) a Célia abordava os temas com muito talento e elegância. Gostei muito de tocar com ela. Para além disso tinha uma boa voz, agradável, muito melodiosa.
A experiência com a cantora foi mais complicada. Com muito boa voz a Beta, sofria do mal de muita gente: pensa que sabe, e convencendo-se dessa sua "realidade" entra dentro seu ego e não aprende que é preciso sempre aprender, e corrigir. Essa falta de humildade foi fatal, na actuação em que deixei de lhe dar as "entradas" para as musicas, como até ali sempre fizera. Ao jantar, a conversa não fora agradável, e foi aquela cena da gota de água. O resultado foi que a Beta falhou em cima do palco, e o Zé, na defesa da sua dama, zangou-se comigo. E por ali acabou a formação. Pois foi em cima desse palco, em Lisboa, que decidi não tocar mais nesta formação.
Mas valeu a pena a experiência. E algumas boas recordações, tais como ouvir a Célia a cantar o I can see clearly now, com o teclado no registo Fender Rhodes.
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| Eu, a Beta, o Zé, a Célia e o Alcobia |



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