Antes de tocar com o Parreira, que dominava na perfeição a língua inglesa, toquei algumas vezes, no grupo Renovação, de Santana, Sesimbra, com um vocalista de nome Cascais. O Cascais era uma espécie de Zézé Camarinha de Sesimbra, e uma vez estávamos à espera dele para iniciar um baile, na Maçã, e nada do Cascais. Mais tarde, recebemos a noticia de que o Cascais engatara uma estrangeira, vinha a abrir no carro dela, e atropelou uma pessoa. O Cascais foi dentro, e não houve baile.
Com ele tive o primeiro contacto daquilo que aprendera nas aulas de inglês, no Liceu: a transcrição fonética (neste caso, caseira).
Em consulta às letras na língua inglesa, do Cascais, deparei-me com pérolas do tipo, em vez de 'I love you', ele escrevia 'ailóviu'. E assim por diante.
Mais tarde vim a tocar com mais dois vocalistas, que não sabendo uma palavra da língua britânica, escreviam as suas cábulas desta forma, e claro que, não imaginavam patavina do significado daquilo que estavam a cantar.
Pessoalmente, nunca gostei desta forma de trafulhice, mas também não seria eu quem os ensinaria. Por vezes, nos coros haviam algumas divergências de pronuncia, mas com o barulho das luzes, passavam despercebidas.
No entanto, tal não era problema, pois na audiência também poucos haveriam capazes de detectar a situação. Aquilo apenas tinha de soar bem, pois cantar 'you are the sunshine of my life' é o mesmo que cantar 'iuàredeçânxaineòfmailaif'.
Dois Vocalistas que usavam a transcrição
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| O Eduardo Beirão |
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| O Alexandre (ao meio) |


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