O pessoal de hoje dificilmente imagina aquilo que padecia o musico para conseguir tirar uma musica a rigor. Enquanto que hoje temos todas as letras e acordes à disposição na internet (embora por vezes precisem de correcção) com a possibilidade até de lhes alterar o tom, nos outros tempos, tinha de ser tudo extraído 'à mão'.
O processo passava por ter a musica, ou gravada ou em disco de vinil. Quando havia o vinil, o método era ir tocando o disco aos soluços para sacar a letra: ouviam-se e memorizavam-se algumas palavras, levantava-se a agulha e escrevia-se. Depois era repetir até ao final. Este procedimento, nada pratico e moroso, foi responsável por muitos discos riscados, e inúmeras agulhas partidas.
Quando havia a gravação em cassete, depois de obtida a muito custo, porque eu chegava a passar horas, com o gravador em frente ao rádio, à espera que passassem 'aquela' musica que eu queria tirar, e quando ela passava, rezava para que o locutor não falasse durante aqueles minutos de reprodução.
A dor de cabeça maior eram os acordes. Sempre existiram canções fáceis e intuitivas, tal como sempre existiram as canções com acordes e passagens tão difíceis e dissimuladas, que me levavam ao desespero, por não conseguir detectar tudo correctamente.
Mesmo hoje, quando rebusco um ou outro tema fora do circuito, recorro ao método do para- arranca. Não usando a agulha, mas sim, o rato.
Uma das publicações que marcou a minha geração, foi a do "Mundo da Canção", que para além de artigos exclusivamente sobre musica e músicos, publicava muitas letras, e assim facilitava o trabalho, era apenas copiar, e muitas vezes era uma boa fonte de sugestões para constituir um bom repertório.
| O primeiro gira-discos, comprado em 1965 |
![]() |
| O revolucionário gravador de cassetes, de 1968, uma novidade naquela época, e que ainda possuo |


Sem comentários:
Enviar um comentário