O trampolim mais importante na carreira do Iodo foi sem duvida, ter entrado para a grelha de bandas aceites para actuar na mais influente e dinamizadora casa de espectáculos de Lisboa, à época.
O RRV para além de uma boa sala, com bom equipamento, boa acústica, tinha os critérios suficientes para exigir boas bandas, e por isso, garantir bons concertos.
Com o RRV, tivemos duas boas prendas, e a primeira foi minha, apesar de beneficiar toda a banda e o seu som. Os primeiros dois contratos, foram para uma terça feira e quinta feira seguinte. Aconteceu que a minha fiel Ibanez, muito competente até ali, revelava-se agora frágil nos concertos, principalmente na questão da afinação, pelo que o primeiro concerto, apesar de bem conseguido, sofreu uns quantos desafinanços a cada investida nos solos mais vigorosos.
Perante o vislumbre de que no concerto seguinte iria acontecer a mesma situação, resolvemos ir à Custodio Cardoso, no Chiado comprar uma guitarra. A exposição de guitarras disponíveis não era vasta, umas Ibanez, outras de marca duvidosa, e uma Gibson. Era a única que me interessava, mas o preço, colocava a compra fora de questão, 60 contos. E eis que o Rui Madeira, fiel depositário dos dinheiros do Iodo, pergunta ao vendedor se lhe faz um desconto. E fez, de 10%. E assim saímos com a Gibson The Paul (igual à do Renato Gomes dos UHF) , com estojo de origem, com menos 54 contos na conta, e eu meio atordoado com o que acabara de acontecer. Nessa noite a Gibson dormiu ao meu lado, e na noite seguinte o concerto correu melhor e afinado.
A segunda prenda, foi a visita do Manuel Cardoso (Frodo) guitarrista dos Tantra, na altura em funções de produtor musical para a editora Vadeca, uma segunda linha da Valentim de Carvalho.
Tal como foi volátil a compra da Gibson, volátil foi o processo consecutivo à abordagem do MC: Eu (MC) produzo um single, a Vadeca é a vossa editora, e assinamos contrato, ok? E assim sucedeu. Ao fim de uns dias fomos assinar o contrato, e seguimos para estúdio, entrevistas, sessões fotográficas, tipo vedetas. A fama estava próxima.
Quanto aos concertos no RRV todos foram efusivos e sempre um sucesso, pois tudo se configurava, do som, à iluminação, à proximidade e aceitação participativa do publico. Foi um dos melhores palcos onde toquei, a nível de satisfação e realização, e creio que foi para além de um marco único na divulgação do rock, um exemplo de que havendo salas, existe o artista, e o espectáculo.
O RRV foi também um dos locais escolhidos pelo Iodo para as gravações do video clip do tema "Malta à Porta", literalmente quando amigos nossos e roadies, agindo como figurantes fingiam atropelar-se para entrar pela porta do RRV. As imagens do video clip em concerto, são também no RRV.
Os concertos do Iodo no Rock Rendez-Vous
03/02/1981
05/02/1981
05/05/1981
16/07/1981
30/12/1981







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