Quando larguei as bandas, e comecei a tocar acústicos, surgiu um convite da parte da Câmara Municipal do Seixal, francamente interessante e desafiador. Era uma espécie de encomenda de um espectáculo a realizar no Cinema S.Vicente cujo tema seria em torno de canções ligadas à celebração do 25 de Abril.
Foi um desafio que aceitei, apôs garantir a parceria com o Nuno Tavares, nas teclas, que fez arranjos de muita originalidade e qualidade, com a Tânia Grelha, e a sua excelente e educada voz, e com a minha filha, Joana Belo Trindade, modéstia aparte, muito boa percursionista.
Cantou-se e tocou-se Paulo de Carvalho, Zeca Afonso, Vitorino, Sérgio Godinho, Fernando Tordo, Adriano Correia de Oliveira e Rui Mingas.
Na entrada em palco, senti o misto de emoções:
Do prazer de entrar em cena, com os projectores virados para o grupo, e sem poder vislumbrar a plateia, onde no escuro se sentia um publico respeitador e atento.
Mas também, aquele nervoso miudinho, a resvalar para o pânico de iniciar a actuação, que começava precisamente com uma versão que fiz da canção "Mãe Negra", do Paulo de Carvalho.
O dedilhado era meu, a voz era a minha e aquilo tinha de começar. E o resultado foi que saiu bem, a julgar pelas palmas da audiência, e a partir dali, veio a confiança, e uma grande actuação.
Foi a única exibição do grupo a que chamamos "Gerações".

Sem comentários:
Enviar um comentário