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| O Sound Five, no Independente Futebol Clube Torrense, na Torre da Marinha, Seixal. Ao meu lado está o Quim, Director na época |
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| O João "padeiro" e o seu Pari |
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| Eu, com cara de parvo, o Lesley, o Pari, e a minha Ibanez |
No Sound Five, a dado momento, entra o João Trindade para teclista. A alcunha "padeiro" tinha a ver com a actividade profissional: o João distribuía pão numa carrinha Saviem, que aos fins de semana servia de carrinha do conjunto. Tempos em que não existia ASAE, e por isso a nossa aparelhagem cheirava sempre a pão.
Do João "Padeiro" entre muitas outras, guardo 3 recordações dignas de registo:
I
Coisa que não faltava ao João era dinheiro, dai, que um dia acompanhei-o a Lisboa, a uma loja de instrumentos musicais, na Rua das Pretas, comprar um órgão Pari, caríssimo, mas muito bom. Para entendedores um Pari, apenas era superado pelos Hammond.
Contudo o caríssimo Pari, volta e meia tinha uma avaria - todas as teclas FA, reproduziam um DO, e isto, coincidência ou não, sempre no mesmo tema. Logo o tema em que o João brilhava, o Whiter Shade os Pale. Parecia bruxedo.
A sorte é que o nosso vocalista, o Parreira, entendido em electrotécnica, reparava ali, no momento, os FAs do Pari. Era uma situação caricata, o baile parado, e o órgão desventrado.
Efectuada a reposição do FA, por ordens do João, o baile apenas prosseguia depois do Parreira explicar ao publico que aquilo tinha sido mesmo uma avaria, e não uma aselhice do teclista. E para o comprovar, o Soud Five nesses bailes tocava pelo menos umas 5 vezes o Whiter Shade of Pale, a pedido. Só para calar as más línguas e eventuais complexos musicais.
II
Para quem não sabe, um Lesley é um amplificador, que distribui o som através de umas cornetas rotativas (explicação muito simplória, mas que serve para o caso).
Um dia antes de um bailarico, e antes do João chegar, abrimos o Lesley e enchemos as cornetas com pó de talco. Não consigo descrever a cara de pânico do João ao pensar que o Lesley estava a arder, e as nossas gargalhadas, e é claro que o resto do baile foi um pesadelo. O João amuara. E o palco ficou a cheirar a pão e pó de talco.
III
Era costume dos músicos levarem a namorada para o baile, que ficava ali virada para o palco a "controlar" o seu homem, não fosse alguma atrevida fazer-lhe olhinhos.
Num desses episódios, começamos a ver a namorada a dar-lhe instruções, gesticulando "mais alto", e o João, vai ao botão de volume, sobe o som. Mas ela ali em baixo, continuava a sua mímica, e ele a subir o som. E assim foi subindo e subindo. De tal modo que só ouvíamos o Pari.
Depois é que ele percebeu, que ela se referia a ele se levantar um pouco do seu banco de pianista, pois aquele tamanho monstro do Pari, não a deixava vê-lo em plenitude. Ai o amor. Move até botões de volume...






























