domingo, 28 de outubro de 2018

Os empresários vintage


O modelo de empresário de conjunto musical, foi durante muitos anos um modelo diferente do conceito actual, cuja definição nos leva à pessoa que representa o artista ou a banda, e trata das contratações dos mesmos, cobrando as respectivas percentagens, tal como acontece no futebol.

Trabalhei durante muitos anos com inúmeros empresários que efectivamente arranjavam contratos, e como em tudo na vida existiam os bons e os maus. Existiam aqueles que para além de conseguirem contratos em locais de prestigio e classe, bem remunerados e garantindo boas condições de trabalho, tal como existiam aqueles que apenas visavam os seus lucros sem cuidarem minimamente dos direitos básicos dos contratados. Por isso, à conta dos empresários, tanto toquei nas melhores salas, nos melhores hotéis, recintos públicos, espaços privados, como toquei em zonas marginais, bairros sociais muito problemáticos, algumas vezes com perigo para a integridade física, minha e dos meus colegas.

Mas o empresário que aqui quero referir é o antigo. O castiço. Em voga nos anos 60 e 70. Aquele que tendo algum dinheiro, e no caso daqueles com quem trabalhei, um filho pertencente à banda. Eram os possuidores da sala de ensaios, da carrinha de transporte, e do equipamento musical, total ou parcial.
O primeiro que apanhei foi o Nobre, pai do Ramiro, no conjunto Sound Five. A sala de ensaios era um barracão ao fundo do quintal da casa do Nobre, o que implicava que a cada saída do grupo tivéssemos que passar com todo o material do barracão, pelo quintal, depois pelo interior da casa, até chegar à rua, e arrumar tudo  na carrinha, uma VW forma de pão azul. No regresso, o inverso...
O segundo empresário, no grupo Código, foi o Macedo, era pai do baixista, o Zé "patilhas", também dono da carrinha, da sala de ensaios, esta com melhores condições e fácil acesso, no Feijó. O Macedo era também dono de parte do material e também  chauffeur, nas longas jornadas de estrada. 
Este tipo de empresário era também vaidoso, permanecendo por vezes em cima do palco, durante as actuações, com aquele ar de, dono disto tudo.
As contas eram simples - se o grupo era de 5, dividia-se o cachet por 6. O empresário levava uma parte, fora o transporte, que era cobrado aparte. Dado que se tocava de 2 a 4 vezes por semana, e no caso do Código, que tocou do Minho ao Algarve, era um bom investimento. E nos casos que presenciei, um orgulho, ver o filho ali em cima do palco todo janota.

Aqui se vê o Macedo durante uma actuação, a tomar conta do pessoal

A Ford Transit, para além do material, e do condutor, levava 7 músicos e um colaborador





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