Conheci o Jorge Loução no Liceu de Almada, quando lhe chamavam Sandokan, dadas as parecenças com este personagem televisivo. Anonimamente fazia parte do grupo daqueles que se juntavam em torno dos que levavam uma viola acústica para o Liceu,e tocavam para essa plateia.
Era uma forma de aprendizagem que cultivava em silêncio, a de observar aqueles que mostrando os seus dotes artísticos, sem o saberem me estavam a dar aulas de guitarra. Era por vezes complicado, pois memorizava os acordes, sem nunca os descrever para o papel, e chegado a casa, tentava reproduzir o que antes observara. Foi dessa forma que observei o Loução, o Doro, e o Juca, ao qual "roubei" a belíssima introdução e os acordes do tema "Michelle", dos Beatles.
Dos momentos em que me cruzei com o Loução lembro-me que me desloquei com alguns colegas a Azeitão, à sala de ensaios do Turma 73 e lá estava ele fazendo parte da banda. Também mais tarde, no concerto que aconteceu na Incrível Almadense, com o Rock & Varius, os Iodo e os UHF, em 30 de Outubro de 1980.
Os verdadeiros bons momentos juntos foram passados já na idade madura, quando ambos já desenvolvíamos a actividade de músicos a solo. Sempre admirara a a forma de abordagem do Loução, principalmente aos temas do Cat Stevens e Otis Redding.
Tocar com, e ao lado dele, foi ao mesmo tempo uma espécie de retorno aos momentos de vinil, com o prazer de actuar quase de forma jam, porque quando os músicos se encontram e a bagagem é vasta, não faltam argumentos.
Tocar, como aconteceu, para colegas de escola, da mesma geração, foi a cereja no topo do bolo, pois é como um daqueles concertos em que todos cantam as letras das canções. Assim foi, num dos encontros de antigos alunos do Liceu Nacional de Almada, no Pragal.



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