sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Iodo - O orgão a arder


Existia na sala de ensaios do Iodo, um orgão Diamond de dois teclados,  que o Luís não usava. O seu ARP, vindo dos Estados Unidos, e o sintetizador Roland monofonico, constituíam na fase de arranque  o  set de teclados que deu corpo ao som distinto da banda. Pelo que tomei de empréstimo o Diamond, e levei-o para casa onde dava umas pianadas de vez em quando.
Após o Iodo formalizar o seu contrato com a editora discográfica, tornou-se necessário trabalhar na produção da nossa imagem, que consistia entre outras manobras tirar umas fotos. Creio que deve ter havido debate, e uma vez que a escolha do nome "Iodo" tinha a ver com o mar (quando cheguei ao grupo, o nome já existia) decidiu-se fazer fotos dentro de água... na Costa da Caparica. O objectivo era a presença do elemento mar, e alguma irreverência a demonstrar pela atitude de cada elemento. Por outras palavras, cada um dos músicos criaria o seu "boneco".
O Luís escolheu levar o Diamond , e a dado momento da sessão fotográfica, eu não queria acreditar: o Luis espeta com o orgão dentro de água. E ali se finou para sempre um excelente instrumento.
A partir dessa data, o Diamond fez parte da encenação dos nossos concertos, pois no final, regavam-se as teclas com álcool e o publico delirava com aquele efeito visual.
Adorou até um dia. O dia em que em Porto de Mós o pobre Diamond cansado de arder aos bocados, não se deixou apagar. O resultado foi um quase intoxicação no palco, e no publico das primeiras filas, e a carcaça carbonizada do Diamond jogada de emergência para a rua por uma providencial porta traseira do palco. E o concerto acabou ali.
Assim terminou o assunto das teclas em chamas. Não tínhamos mais figurantes teclados para atear.




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