quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Iodo, e aquele que deveria ter sido O Concerto de Gloria

Cartaz de Promoção ao Concerto dos Genesis
 Quando fui assistir ao que considero ainda hoje, o concerto da minha vida, os Genesis em Cascais, no dia 7 de Março de 1975, estava a anos luz de imaginar que um dia iria estar em cima daquele palco. O super grupo interpretou de rajada o duplo-album "The Lamb Lies Down on Broadway" tocando como encore o "Musical Box". Soube mais tarde, que no dia 6, tinham tocado também o "The Knife". Para quem apenas tinha no CV alguns pequenos concertos, como Atomic Rooster, String Driven Thing, ou Beatnicks, entrar naquele pavilhão, aos meus olhos na data, enorme, dar de caras com um PA repleto de colunas de formatos nunca vistos, e um palco recheado com a melhor banda de rock sinfonico do mundo foi: a partir de hoje nada me vai surpreender ao nível de concertos. Mas deixemos por hoje, os Genesis.
Eu, a viver o drama do concerto no Dramático
 A nossa ida ao Pavilhão Dramático de Cascais, não podia ter melhor definição que a palavra "dramático". Tudo começou com o convite à laia de desafio e favor do empresário responsável pela vinda do Iggy Pop a Portugal, do tipo, vocês vão fazer a primeira parte do Iggy Pop, à volta de 40 minutos, levam o back-line, é promoção para vocês, de borla, e vocês tocam de borla.
E aceitamos sem pestanejar. Para mim, mais do que promover o Iodo, era como que pisar o local sagrado, onde seis anos antes pisara a minha banda preferida.
O conto de fadas começa a desmoronar-se  com o sound-check que não aconteceu. Estivemos a tarde toda a ver passar técnicos, roadies, e por fim os músicos da banda do Iggy, em volta do som que não me parecia muito bem.
Meia-hora antes da abertura de portas, somos informados de que podíamos subir ao palco com o nosso material. Nervosos, a montar a bateria à pressa, colocar teclados, amplificadores nos buracos reduzidos, deixados livres. O resto era uma amalgama de cabos, iluminação, efeitos e uma montanha de Hiwatts e Marshalls a ensombrar os nossos pequenos amplificadores. 
Depressa o tempo se esgotou, e claro, não houve sound-check para ninguém, apenas testes de monitores.
Pensei: os gajos são profissionais, decerto vão fazer-nos um som à maneira, à medida que formos tocando. E abrem-se as portas. Descemos para o lateral direito do palco à espera de sermos anunciados aquela fauna maioritariamente punk ávida de decibéis.
Anunciaram o Iodo, subimos, cada um com os nervos à flor da pele, e já neste momento sem a certeza de querer estar naquele palco, e ainda não tínhamos começado.
Não me recordo do alinhamento, mas creio que foi alterado a partir da execução,(ou tentativa de), do primeiro tema. Senti-me como naqueles filmes épicos de batalhas, eram setas e espadas por todo o lado. O som em palco era péssimo, do tipo eu não ouvia o meu som, mas ouvia em exagero o baixo, bateria nada, voz, aos bocados. Os outros igual. Cada qual no seu ghetto tentando estar em sincronia com um fio condutor que não existia. Estavamos cada um por si no campo de batalha.
Chovem assobios e moedas de um e de dois tostões, o pânico era total, a vontade de sair dali para fora também, e saímos ao fim de cerca de meia-hora. Sem brilho, sem palmas, sem o nosso objectivo: divulgação. 
Aprendi, que tocar à borla, não é bom, e apenas nos desprestigia. 
Artigo referente ao concerto na Musica & Som
Como se pode ler no primeiro paragrafo aquilo que o Iodo sentiu, e sofreu foi consequência de falta de tudo.Valeu a experiência que não serviu de lição, pois voltaríamos a tocar de borla na Festa do Avante, no Alto da Ajuda, mas essa aventura haverá de ser relatada num post mais para a frente.
Quanto ao concerto do Iggy Pop tivemos de o gramar todo, pois não haviam portas de saída laterais abertas. Retenho desse concerto, um som altíssimo, sem qualidade, o Iggy a entrar em palco com uma pedra que o fez cair por cima da bateria, e o concerto teve de ser interrompido por minutos. Retenho também um publico histérico, alheio e desconhecedor da obra do cantor, e de uma tipa com uma túnica toda aberta, e sem mais roupa por baixo, proporcionando algumas delicias oculares ao staff do Iodo, que ali estava, apenas com o pequeno almoço na barriga, e uma despesa de uns 10 contos. Afinal a promoção não foi de borla...

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