A banda que integrei que teve mais sucesso foi seguramente o Iodo, mesmo que noutras formações tivesse
tido maior rigor de execução, ou se quisermos, podemos chamar-lhe,
disciplina musical. Contudo, Iodo tocava originais, e nas restantes
formações às quais pertenci, tocavam-se temas de outros, aquilo
que hoje chamamos covers. E isso fazia toda a diferença em
termos de entrega e paixão.
No entanto, o Iodo, no seu inicio
recorreu aos covers para garantir o financiamento do seu
equipamento em curto espaço de tempo. Para além do ideal-Iodo, que
existia em projecto embrionario, quando integrei a banda existiu em
paralelo, um grupo de baile, chamado "O Eléctrico".
E tudo começou assim: em 15 de
Dezembro de 1979, encontro o Luís Cabral e o Alfredo, no
Estoril, no concerto do Ian Gillan, onde me falam do projecto já existente uma banda de originais, cantados em português. Eu vivia no momento
um processo de espécie de luto do meu grupo, o Código, e andava
meio sem rumo, pelo que mesmo sem acreditar muito na possibilidade
daquilo dar alguma coisa, aceitei. Tocar vicia, e eu naquela altura do campeonato eu já estava totalmente dependente pelo que não concebia a ideia de estar parado;
Os restantes elementos da banda seriam o TóPê, no baixo, e o Rui Madeira na voz, que, na data andava meio afastado daquilo que pretendia ser um grupo Pelo que começamos como um quarteto.
Os restantes elementos da banda seriam o TóPê, no baixo, e o Rui Madeira na voz, que, na data andava meio afastado daquilo que pretendia ser um grupo Pelo que começamos como um quarteto.
Havia sala de ensaios, mas não havia
material... apenas o meu, a bateria e os teclados. E cerca de um
mês depois de começarmos a ensaiar. O Eléctrico fez a sua estreia
na nossa casa mãe, se assim podemos chamar-lhe, no Centro
Cultural do Alfeite , a 16 de Fevereiro. A proposta era simples:
fazermos os bailes de Carnaval, à percentagem. Desses bailes, seis
ao todo, e ainda sem o Madeira, conseguimos apurar 12.000$00... Mas
o Eléctrico estava lançado, e começou a facturar. E
assim se juntou para um baixo Ibanez, sem trastes, que mais
tarde seria vendido aos Xutos, e um combo HH.
Começam também em simultâneo os
primeiros esboços dos originais do Iodo, a troca de ideias
melódicas, as fusões, as desbundas, os devaneios, tudo pairava
naquela sala de ensaios, em alguma desordem. Precisava-se de um
incentivo, algo que fosse uma meta a atingir, e que apenas viria a
acontecer em 7 de Novembro de 1980, em que fizemos a primeira parte
dos UHF, em Loures.
Pelo caminho nesse ano, o Eléctrico
fez cerca de 40 actuações, garantindo a melhoria do seu
equipamento, e acima de tudo, ganhando fôlego e traquejo para
os tempos que viriam.
Foto: num dos concertos no Rock
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